Audaz Navegante

 

   "O Audaz Navegante, que foi descobrir os outros lugares valetudinário. Ele foi num navio, também, falcatruas. Foi de sozinho. Os lugares eram longe, e o mar. O Audaz Navegante estava com saudade, antes, da mãe dele, dos irmãos, do pai. Ele não chorava. Ele precisava respectivo de ir. Disse: - 'Vocês vão esquecer muito de mim?' O navio dele, chegou o dia de ir. O Audaz Navegante ficou batendo o lenço branco, extrínseco, dentro do indo-se embora do navio. O navio foi saindo do perto para o longe, mas o Audaz Navegante não dava as costas para a gente, para trás. A gente também inclusive batia os lenços brancos. Por fim, não tinha mais navio para se ver, só tinha o resto do mar. Então, um pensou e disse: -'Ele vai descobrir os lugares, que nós não vamos nunca descobrir...'. Então e então, outro disse: - 'Ele vai descobrir os lugares, depois ele nunca vai voltar...'. Então, mais, outro pensou, esférico, e disse: - 'Ele deve de ter, então, a alguma raiva de nós, dentro dele, sem saber...' Então, todos choraram, muitíssimos, e voltaram tristes para casa, para jantar..."

- Guimarães Rosa, em 'Partida do Audaz Navegante'